Asas Maiores.

Só agora eu sinto que as minhas asas eram maiores que as dele, e que ele se contentava com os ares baixos; eu queria grandes espaços, amplitudes azuis onde meus olhos pudessem se perder e meu corpo pudesse se espojar sem medo nenhum. Queria e quero ainda. Voar junto, não sozinho. Mas todos me parecem tão fracos, tão assustados e incapazes de ir muito longe. Talvez eu me engane, e minhas asas sejam muito mais frágeis que meu ímpeto. Mas se forem como imagino, talvez esteja fadada a solidão.
C. F. A

Foda-se

Escuta aqui, cara, minha dor não me importa. Estou cagando montes pras minhas memórias, pras minhas duvidas, pras minhas saudades. As pessoas estão enlouquecendo, sendo presas, indo para o exílio, morrendo de overdose e eu fico aqui pelos cantos choramingando o meu amor perdido? Foda-se o meu amor perdido. Foda-se esse rei-ego absoluto. Foda-se a minha dor pessoal, esse meu ovo mesquinho e fechado. Ninguém morre de amor. Se é que posso chamar o que sinto de amor.

Caio F.

...

Sempre que me levanto eu perco um novo pedaço.
Ouço os cacos rolando a noite toda na escada.

Oco.

oco o suficiente pra abraçar os veadinhos do trenó em homenagem aos meus ex-casos. mega-oco o suficiente pra não admitir minha carência e dar uma risada debochada de todas as luzes, canções e emoções de boas-festas. Tá, mas no especial da Adriana Calcanhotto não vai dar pra ser oco. A filha da mãe sempre me faz chorar. É impressionante como a gente se sente sozinho na porra do especial da Adriana Calcanhotto.

- Adaptação de Tati Bernardi.

Fácil e Rápido.

Vou utilizar minha maior frieza pra dizer que não te amo:

E-U / N-Ã-O / T-E / A-M-O!

Enumeração.

Velhos amores incompletos no gelo seco do passado,
Velhos furores demenciais esmigalhados no mutismo de demônios crepusculares,
Velhas traições a doer sempre na anestesia do presente,
Velhas jogadas de prazer sem a menor deleitação,
Velhos signos de santidade atravessando a selva negra como cervos escorraçados,
Velhos gozos de torva índole,
Velhas volúpias estagnadas,
Velhos braços e mãos e pés em transtornada oscilação logo detida, velhos choros que não puderam ser chorados,
Velhos isso, velhos aquilos dos quais sequer me lembro mais…
(Carlos Drummond de Andrade)

Selecção.

Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras e por tudo isso, ando cada vez mais só... Como um filtro, um filtro seletivo, vão ficando apenas as coisas e as pessoas que realmente contam . Só sei que a gente nunca pode julgar o que acontece dentro dos outros. Mania de esperar que as coisas sejam um jeito determinado , por isso a gente se decepciona e sofre. Seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções . A partir de então, tudo fica ainda mais complicado. E mais real. Meu irmão, a gente tem que descobrir maneiras — sejam quais forem — de ficarmos fortes. Tudo que parece meio bobo é sempre muito bonito, porque não tem complicação. Coisa simples é lindo. E existe muito pouco... É você quem sorri, morde o lábio, fala engraçado, conta histórias, me tira do sério, faz ares de palhaço, pinta segredos, ilumina o corredor por onde passo todos os dias... Penso em você principalmente como a minha possibilidade de paz. E te espero. E te curto todos os dias . E te gosto. Muito. Tenho poucos amigos, mas tão bonitos. Ninguém suspeita, mas sou uma pessoa muito rica. Não dou um tostão por todo o resto. À eles, eu amo . E raramente me engano.
(Caio F. Abreu)

Blá... Blá... Blá...

Eu sou forte hoje em dia, mais ainda sou um mero humano que já errou muito.
Mais confessar que minha pele extremesse quando eu penso em algumas coisas sobre você.
Dei tudo de mim, não sobrou quase nada!
Não devemos ficar impressionados, estou realmente no meu lugar e farei tudo pela minha privacidade.

A inocência se foi pra todos...
Devemos criar uma nova formula?

Óh Deus, faça eu me sentir forte e brilhante, tenho mais de duas opções, mais nao escolherei nenhuma porque já me sinto forte e brilhante.

Falei um monte de abobrinha, né?
Acho que eu ando lendo Caio demais.
HAHAHAHA

Vou ali ser feliz e já volto.

Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto.
(Caio F. Abreu)

Hoje.

Tô lutando, trabalhando, estudando e vivendo. Esses são os quatro foles da minha vida, no momento. E sobre cada um deles eu teria milhares de páginas a preencher. Sei lá, tá tudo tão legal, e um legal tão batalhado, um legal merecido, de costas e pernas doendo porque nada é tão fácil assim, mas coração tranquilo. Feliz...

Sacrifício.

Frio, coração frio e endurecido.
As coisas andam melhores, e isso não é de passagem. Isso não é nenhum sacrifício, é apenas uma simples palavra.
Acontece que são dois corações vivendo em dois mundos separados, mas isso não é nenhum sacrifício pra mim, nenhum sacrifício mesmo.
Desentendimento mútuo. Depois do fato, a sensibilidade constrói um escudo apropriado, e no ato final, nós perdemos a direção. Nenhuma lágrima desponta quando o ciúme queima, e eu nem me sacrifico para isso.

Angel.

Estou tão cansado de andar na linha, e para todo lugar que eu me viro existem abutres e ladrões nas minhas costas. A tempestade continua se retorcendo, e você continua construindo a mentira
que você inventa por causa de tudo que você não tem. Não faz nenhuma diferença...

O importante é que eu me escapei pela última vez.
É muito fácil acreditar nessa doce loucura.
Eu estremeço quando você me toca, eu perco o ar, eu tenho medo.

A felicidade que trago comigo.

Quando estou feliz é mais ou menos assim:
me transformo em mil, venço Lúcifer, torno
me adolescente, viro criança, rolo na grama,
esqueço o passado, rio e dou graças a Deus.


Nota importante: eu VIVO feliz!

I Coríntios 13.4-7

" ... O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regojiza-se com a verdade, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta..."