Os Dragões Não Conhecem o Paraíso.

Então quase vomito e choro e sangro quando penso assim. Mas respiro fundo, esfrego as palmas das mãos, gero energia em mim. Para manter-me vivo, saio à procura de ilusões como o cheiro das ervas ou reflexos esverdeados de escamas pelo apartamento e, ao encontrá-los, mesmo apenas na mente, tornar-me então outra vez capaz de afirmar, como num vício inofensivo: tenho um dragão que mora comigo. E, desse jeito, começar uma nova história que, desta vez sim, seria totalmente verdadeira, mesmo sendo completamente mentira. Fico cansado do amor que sinto, e num enorme esforço que aos poucos se transforma numa espécie de modesta alegria, tarde da noite, sozinho neste apartamento no meio de uma cidade escassa de dragões, repito e repito este meu confuso aprendizado para a criança-eu-mesmo sentada aflita e com frio nos joelhos do sereno velho-eu-mesmo:

- Dorme, só existe o sonho. Dorme, meu filho. Que seja doce.

Não, isso também não é verdade.

(Caio F.)

Pequeno Relato de Um Viajante.

Nos últimos dias tenho ido desde os anos 80 ao extremo.
E uma coisa interna e solitária onde posso, e vou onde quero.
Depois da chama de um isqueiro qualquer, vem o primeiro fogo que desce a traqueia e sobe meu cérebro numa rapidez quase heroína.
Logo após chega a hora de prensar tudo que em mim coloquei - assim como se deve prensar um amor bom, porque são eles que não servem pra nada.

Sopro no céu.
Fumaça dispersa.
Tosse cronica.
Agora sim mato minha sede na saliva!

Risadas (muitas risadas...)
Fome (muita fome...)
Vazio (grande buraco...)
Sono (durmo e sonho de novo...)

O porque disso?
Simplesmente porque O Tempo Não Pára...

Extremo.

Sempre me fiz a pergunta do porque os filmes sem o "Felizes Para Sempre" me tomaram tanto tempo... Hoje tenho minha resposta: O significado de amor é extremo. Sempre chego em um estado que a vida me tira a certeza do "Para Sempre". Chega o momento que um dos lados desiste de chegar ao extremo. Extremo Afeto, Extrema Paciência; e assim o lado mais fraco sempre desiste. Talvez eu não seja fraco, talvez meu coração só esteja esperando Meu Amor Forte...
Meu Super Amor.


(Marina Braz)

Giz.

E mesmo sem te ver, acho até que estou indo bem.
Só apareço, por assim dizer quando convém aparecer, ou quando quero.

Desenho toda a calçada e quando acaba o giz, uso tijolo de construção.
Eu rabisco o sol que a chuva apagou.
Quero que saibas que me lembro, queria até que pudesses me ver.
És parte ainda do que me faz forte, e pra ser honesto, só um pouquinho infeliz...

(Renato Russo)


ps.: é pra voc x)

Lado A / Lado B.

Eles se amam, todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossivel. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é dificil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontram e que nada, nada seja por acaso.

(C. F. A)

Eu ri!

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Ele pode estar olhando tuas fotos neste exato momento. Por que não? Passou-se muito tempo, detalhes se perderam. E daí? Pode ser que ele faça as mesmas coisas que você faz escondida, sem deixar rastro nem pistas. Talvez, ele passa a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você. Todos os dias. E, ainda assim, preferir o silêncio. Ele pode reler teus bilhetes, procurar o teu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as tuas músicas, procurar a tua voz em outras vozes. Quem nos faz falta, acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape. Talvez, ele perceba que você faz falta e diferença, de alguma forma, numa noite fria. Você não sabe. Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado verão em Paris.
Talvez, ele volte.
Ou não.
(Caio F.)

Tentei.

é a quarta vez que abro a pagina de postagem e não consigo escrever nada. Não que eu não queira, é que simplesmente não consigo.
Hoje eu também tentei chorar e não consegui.

Tantas, tantas coisas...

Fatos.

Na verdade eu ando bem mais pra estrofe seguinte: "cansado de correr na direção contrária, sem pódio de chegada ou beijo de namorada, eu sou mais um cara".
Tem coisas na vida que você faz e insiste em fazer sem ter parado uma única vez pra tentar ver sentido nelas.
Até que um dia em você finalmente cansa, olha pros lados e vê que se parar, o mundo vai continuar exatamente igual, ou melhor!
Tem coisa mais bacana que você perceber que dá pra deixar pra trás um monte de peso e de gente que você insistiu em carregar a vida toda e que só fizeram te usar, como se fosse tua obrigação estar alí pra eles, sem que houvesse uma mínima recíproca??
Independente do vínculo que a vida tenha estabelecido entre você e essas pessoas, é sempre tempo de rever essas configurações.
É como quando você percebe que perdoar uma falta grave do outro, te deixa mais leve e mais feliz. E que fica mais fácil.
É quando você desiste de carregar pedras e se dá conta que as pedras não tinham valor, nem te ajudariam a pavimentar nada.
É uma sensação louca, mas muito interessante.
E fica mais interessante a cada dia em que a vida passa, você segue em frente e deixa o passado pra trás (que é o lugar dele).
Fica a dica: tentem.
Vale MUITO a pena.

Ah, o verão.

Ah, o verão. Dizem que é a estação da perdição. É porque é no verão que você faz tudo aquilo que vai contar para os seus netos, bisnetos e tataranetos um dia. Dormir de cueca, dormir de calcinha, é só no verão! Viajar pra montanha, pra cach...oeira, pro balneário. É só no verão...

É no verão que o amor florece, o amor à preguiça, o amor ao sol ou até mesmo o amor a uma sirigaita. Ou a uma duzia de sirigaitas, porque não?

É no verão que você se apaixona, se desapaixona, briga, desbriga, se queima, se enche de areia e de micose. É no verão que você faz regimes de faquir, come coisas (e pessoas) estranhas, bebe coisas mais estranhas ainda, e, estranhamente, vomita coisas que você não bebeu e nem comeu.

É no verão, rapaz, que você se depila, mostra a marca da sunga e da academia. É nesta época do ano que você dorme cedo, acorda tarde, dorme tarde, acorda cedo, não dorme, não acorda, trepa de mais, se proteje de menos. É no verão que a lei da física perde a vigência, e os corpos se atraem na razão diretamente proporcional ao tesão acumulado durante o inverno, e, não raro, ocupam o mesmo lugar no espaço, ao mesmo tempo.

É no verão, caro cliente, que você bebe, bebe e bebe. E depois bebe mais um pouco. É exatamente no verão, e só no verão, que você se lembra que veio no mundo a passeio, e mais nada. Você se joga, se afoga, se perde da turma, perde o caminho de casa, perde o fígado, a virgindade, o dinheiro, a saúde, a moral e a vergonha. E acorda com a marca do óculos de sol na cara.
Seja otimista rapaz, é verão. Vai contar o quê para o neto? Que ficou jogando dominó? Não! Vai contar que pulou da pedra, comeu churrasco, deu cambalhotas, pegou sapinho, essas coisas que a gente só faz no verão.

Ah, o verão. O verão é agora...

The Kill.

(...)
E se eu desmoronar
Se não pudesse mais aguentar
O que você faria?

E se eu quisesse lutar
Pelo resto da vida implorar
O que você faria?
(...)

(30 Seconds to Mars)

Bi - Polar. Otimo!

[...] e minhas vontades são bipolares demais. Só o que não é bipolar demais é a minha ganancia por te ter. Sim, eu escolheria você. Se me dessem um último pedido, eu escolheria você. Se a vida acabasse hoje ou daqui mil anos, eu escolheria você…

C. F. A

Maktub [2]

Resenha.

=S

Confesso que não me senti bem em te ver naquela circunstância.
Fiquei mal, nada tão grave, só intenso.
Tanto tempo já se passou e a sua essencia não mudou.
É, confesso mais uma vez que amor só existe uma vez na vida.

É tão verdade.

A gente não se vê faz algum tempo, mãe . (...)
— E por quê ?
— Mãe - Eu comecei a falar. A voz tremia . — Mãe, é tudo tão difícil .

Caio F.